sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Unidades de acolhimento de Fortaleza 'violam direitos em vez de proteger', diz MP

Unidades de acolhimento de Fortaleza 'violam direitos em vez de proteger', diz MP


Instituições que deveriam comportar, no máximo, 20 crianças e adolescentes chegam a abrigar 60.






Centro de Semiliberdade Mártir Francisca, que registrou chacina durante madrugada, era tido como centro modelo no Ceará (Foto: Reprodução Facebook/E-Jovem Ceará)Centro de Semiliberdade Mártir Francisca, que registrou chacina durante madrugada, era tido como centro modelo no Ceará (Foto: Reprodução Facebook/E-Jovem Ceará)


Centro de Semiliberdade Mártir Francisca, que registrou chacina durante madrugada, era tido como centro modelo no Ceará (Foto: Reprodução Facebook/E-Jovem Ceará)





As 22 unidades de acolhimento de crianças e adolescentes do município de Fortaleza estão superlotadas. Instituições que deveriam comportar, no máximo, 20 crianças e adolescentes chegam a abrigar 60, sem aumento da equipe técnica, o que gera um atendimento deficitário. Foi o que mostrou uma série de inspeções realizadas Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), por meio do titular da 6ª Promotoria de Justiça da Infância e Juventude, Luciano Tonet.




Além disso, segundo o promotor de Justiça, há necessidade de melhor qualidade no acolhimento de jovens vindos do interior do estado, considerando a existência de casos que não seriam de acolhimento, o que gera o afastamento desnecessário da família.




"Nestes casos, o acolhimento nas unidades, em vez de proteger, viola os direitos das crianças e adolescentes", diz o Ministério Público. Outros problemas foram constatados nas unidades de acolhimento, como alimentos vencidos, necessidade de limpeza, documentação e ausência de roupas individualizadas. Segundo Tonet, os encaminhamentos devidos foram efetivados.







Convênios





Em Fortaleza, existem 10 entidades que são geridas em sistema de cogestão com a Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social do Estado do Ceará, que abrigam crianças e adolescentes do interior do Estado. As demais funcionam ou em sistema de cogestão Secretaria de Direitos Humanos e Desenvolvimento Social de Fortaleza.





O relatório mostra que as entidades vinculadas ao município não possuem problemas insanáveis referentes à documentação. No entanto, há necessidade de uma melhor gerência dos convênios de cogestão, segundo Luciano Tonet.




Resolução do Conselho Nacional do Ministério Público determina a necessidade de inspeções quadrimestrais – três durante o ano – sendo uma destas mais completa, denominada “inspeção anual” que ocorre, normalmente, no mês de março.




As inspeções têm por objetivo sanar irregularidades, porventura encontradas, possibilitando um ambiente mínimo de salubridade e que possibilite um desenvolvimento adequado, respeitando-se o disposto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).