quinta-feira, 16 de novembro de 2017

No AP, pesquisa comprova eficácia da sucupira no combate à larva do Aedes aegypti

No AP, pesquisa comprova eficácia da sucupira no combate à larva do Aedes aegypti




Pesquisa com o fruto da sucupira cria produto de combate à larva do Aedes aegypti (Foto: Rita Torrinha/G1)Pesquisa com o fruto da sucupira cria produto de combate à larva do Aedes aegypti (Foto: Rita Torrinha/G1)


Pesquisa com o fruto da sucupira cria produto de combate à larva do Aedes aegypti (Foto: Rita Torrinha/G1)




Uma pesquisa com o fruto da sucupira-branca (Pterodon emarginatus vogel) comprovou que a extração de óleos essenciais da planta, nativa da região de serrado, obtem eficácia acima de 70% na mortalidade de mosquitos Aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e zika vírus, em depósitos de água.




A descoberta foi tema da tese de doutorado da professora Anna Eliza Maciel, da Universidade Federal do Amapá (Unifap) e vencedora do prêmio nacional Capes Teses 2017, como melhor investigação na área de farmácia. A sucupira é uma árvore nativa do cerrado, que produz uma semente conhecida pelos efeitos anti-inflamatórios.






O óleo e a solução final, no refratário menor, que dilui na água (Foto: Rita Torrinha/G1)O óleo e a solução final, no refratário menor, que dilui na água (Foto: Rita Torrinha/G1)


O óleo e a solução final, no refratário menor, que dilui na água (Foto: Rita Torrinha/G1)





O produto final é uma solução transparente chamada “nanoemulsão”. A professora teve a ajuda de seis pessoas, entre alunos e professores, para criar a substância. O mestrando Jonatas Duarte esteve com ela desde o início e Anna o considera fundamental nessa jornada.




"Ele foi meu grande parceiro em tudo. Me acompanhou em todas as fases e digo, descobrimos juntos, todos nós, essas propriedades da Sucupira", falou a professora.




Os estudos tiveram início em 2013 e o desafio era fazer o óleo da sucupira ficar solúvel, visto que o habitat das larvas do mosquito é a água parada. Foram centenas de testes e experiências realizados e o resultado surpreendeu.





“Retiramos os óleos essenciais do fruto e com a transformação em nanoemulsão conseguimos, em um tempo de 48h, eliminar 100% das larvas que colocamos nos recipientes. Essa é uma conquista de toda a equipe com a qual trabalhei nos laboratórios”, conta a pesquisadora.




Considerando os desafios e dificuldades para se produzir ciência de qualidade em uma universidade pública do norte do país, Anna Eliza diz que a descoberta e criação de um novo produto no mercado é extremamente significativo.




“Pretendo continuar com a pesquisa, agora no pós-doutorado. Como é caro e não temos como produzir em larga escala no estado, já tenho o contato de pessoas que têm interesse em produzir, mas vamos verificar de que forma poderá ser feito isso. O primeiro passo será patentear o produto”, explica.






Professora Anna Eliza Maciel da Universidade Federal do Amapá (Foto: Rita Torrinha)Professora Anna Eliza Maciel da Universidade Federal do Amapá (Foto: Rita Torrinha)


Professora Anna Eliza Maciel da Universidade Federal do Amapá (Foto: Rita Torrinha)





A partir de 100 gramas do fruto é possível retirar 20 milímetros de óleo que, segundo a professora, é um rendimento considerado alto para um produto final. A solução também foi testada com a larva do mosquito Culex, causador da filária, popularmente conhecida como elefantíase, e o resultado foi igualmente satisfatório, com mortandade total.




A ideia é, caso consiga produzir em larga escala, oferecer em forma de medicamento solúvel ou em pó, ou até como repelente, visto que foram verificadas reações toxicológicas em seres vivos, no caso em camundongos, e não fo constatado riscos.







Professora Anna Eliza Maciel e o aluno Jonatas Duarte (Foto: Rita Torrinha/G1)Professora Anna Eliza Maciel e o aluno Jonatas Duarte (Foto: Rita Torrinha/G1)


Professora Anna Eliza Maciel e o aluno Jonatas Duarte (Foto: Rita Torrinha/G1)





O uso de plantas medicinais é comum na região Amazônica, onde a sabedoria popular orienta o uso no combate de sintomas de doenças, através de chás e infusões. O chá do fruto da sucupira é tido como analgésico e anti-inflamatório natural e os benefícios dele já foram comprovados pela ciência.




Ainda sobre a pesquisa da professora Anna, ela concorre ao “Grande Prêmio Capes de Tese Vital Brazil”, que será outorgado para a melhor tese selecionada entre as vencedoras do “Prêmio Capes de Tese” na área de Ciências Biológicas, Ciências da Saúde, Ciências Agrárias e Interdisciplinar. A resultado da premiação será divulgado em Brasília, no dia 7 de dezembro.




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