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Clínica de reabilitação em Macapá foi investigada pelo MP (Foto: Reprodução/Rede Amazônica)
A Justiça do Amapá aceitou denúncia e tornou réus por tortura e agressão os irmãos Iran Célio Marinho Brito e Francisco Charles Marinho Brito, proprietários de uma clínica de reabilitação na Zona Norte de Macapá, onde teriam acontecido diversos casos de maus-tratos físicos e psicológicos a pacientes em recuperação do uso de drogas e álcool.
Os casos foram descobertos após investigação do Ministério Público do Amapá (MP-AP), que ouviu relatos de familiares e de ex-internos sobre espancamentos, trabalho forçado e uso de medicamentos sem prescrição médica.
Uma ação da Polícia Civil em 10 de fevereiro de 2017 encontrou algemas, spray de pimenta e seringas usadas nas supostas torturas no local, que funciona no bairro Brasil Novo.
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Algemas, sprays, remédios e seringas foram encontrados na clinica (Foto: Reprodução/Rede Amazônica)
O inquérito ouviu ao todo 24 pacientes que relataram praticamente as mesmas situações, cometidas por funcionários e pelos próprios donos da clínica, que foi fechada à época, mas reaberta depois.
Os depoimentos citam agressões com madeira, uso de arma de choque, falta de alimentação adequada e uso de remédios que dopavam os internados por até três dias.
Iran e Francisco chegaram a ser presos, mas respondem às acusações em liberdade. O advogado dos irmãos, Márcio Pinheiro da Silva, nega as acusações e diz que vai provar na Justiça a inocência dos proprietários.
O defensor fala em "falsos depoimentos" com o intuito de incriminar os irmãos, mas diz não saber os motivos das alegações.
"Tudo isso não passa de ilações, inverdades, e todas as acusações terão sua prova dentro do devido processo. O MP arrolou essas 24 supostas vítimas, mas nós também temos testemunhas que vão mostrar o trabalho realizado por eles, que já acontece há vários anos. É irracional isso, como que 24 pessoas vão passar por isso?", questionou o advogado.
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Márcio Pinheiro da Silva, advogado dos proprietários da clínica (Foto: John Pacheco/G1)
A denúncia do MP-AP foi aceita em 10 de novembro pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Macapá. O Ministério pede a condenação dos irmãos com agravante de parte das vítimas, pois quatro delas eram adolescentes. Uma morte dentro da clínica relatada nos depoimentos também está sendo investigada e não foi incluída no processo atual.
"Quando nós fizemos uma reivindicação de que não queríamos ficar aqui e queríamos ir embora, como represália eles nos levaram para o escritório e nos espancaram. Batiam com algo parecido com uma palmatória, um pedaço de madeira, spray de pimenta, taco de bilhar. O que tivesse eles atingiam a pessoa", contou um ex-paciente ao G1, dias após o fechamento da clínica.
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Paciente ouvido à época pelo G1 detalhou supostas agressões (Foto: Abinoan Santiago/Arquivo G1)
Clínica sob suspeita
Para manter os dependentes químicos no tratamento, as famílias pagavam R$ 1,2 mil mensais à administração da clínica. O caso é investigado desde 2016 pelo MP e resultou na prisão à época dos dois irmãos proprietários da clínica.
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