quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Donos de clínica acusados de torturarem pacientes viram réus na justiça do AP

Donos de clínica acusados de torturarem pacientes viram réus na justiça do AP




Clínica de reabilitação em Macapá foi investigada pelo MP (Foto: Reprodução/Rede Amazônica)Clínica de reabilitação em Macapá foi investigada pelo MP (Foto: Reprodução/Rede Amazônica)


Clínica de reabilitação em Macapá foi investigada pelo MP (Foto: Reprodução/Rede Amazônica)




A Justiça do Amapá aceitou denúncia e tornou réus por tortura e agressão os irmãos Iran Célio Marinho Brito e Francisco Charles Marinho Brito, proprietários de uma clínica de reabilitação na Zona Norte de Macapá, onde teriam acontecido diversos casos de maus-tratos físicos e psicológicos a pacientes em recuperação do uso de drogas e álcool.




Os casos foram descobertos após investigação do Ministério Público do Amapá (MP-AP), que ouviu relatos de familiares e de ex-internos sobre espancamentos, trabalho forçado e uso de medicamentos sem prescrição médica.




Uma ação da Polícia Civil em 10 de fevereiro de 2017 encontrou algemas, spray de pimenta e seringas usadas nas supostas torturas no local, que funciona no bairro Brasil Novo.






Algemas, sprays, remédios e seringas foram encontrados na clinica (Foto: Reprodução/Rede Amazônica)Algemas, sprays, remédios e seringas foram encontrados na clinica (Foto: Reprodução/Rede Amazônica)


Algemas, sprays, remédios e seringas foram encontrados na clinica (Foto: Reprodução/Rede Amazônica)





O inquérito ouviu ao todo 24 pacientes que relataram praticamente as mesmas situações, cometidas por funcionários e pelos próprios donos da clínica, que foi fechada à época, mas reaberta depois.




Os depoimentos citam agressões com madeira, uso de arma de choque, falta de alimentação adequada e uso de remédios que dopavam os internados por até três dias.




Iran e Francisco chegaram a ser presos, mas respondem às acusações em liberdade. O advogado dos irmãos, Márcio Pinheiro da Silva, nega as acusações e diz que vai provar na Justiça a inocência dos proprietários.





O defensor fala em "falsos depoimentos" com o intuito de incriminar os irmãos, mas diz não saber os motivos das alegações.




"Tudo isso não passa de ilações, inverdades, e todas as acusações terão sua prova dentro do devido processo. O MP arrolou essas 24 supostas vítimas, mas nós também temos testemunhas que vão mostrar o trabalho realizado por eles, que já acontece há vários anos. É irracional isso, como que 24 pessoas vão passar por isso?", questionou o advogado.






Márcio Pinheiro da Silva, advogado dos proprietários da clínica (Foto: John Pacheco/G1)Márcio Pinheiro da Silva, advogado dos proprietários da clínica (Foto: John Pacheco/G1)


Márcio Pinheiro da Silva, advogado dos proprietários da clínica (Foto: John Pacheco/G1)





A denúncia do MP-AP foi aceita em 10 de novembro pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Macapá. O Ministério pede a condenação dos irmãos com agravante de parte das vítimas, pois quatro delas eram adolescentes. Uma morte dentro da clínica relatada nos depoimentos também está sendo investigada e não foi incluída no processo atual.






"Quando nós fizemos uma reivindicação de que não queríamos ficar aqui e queríamos ir embora, como represália eles nos levaram para o escritório e nos espancaram. Batiam com algo parecido com uma palmatória, um pedaço de madeira, spray de pimenta, taco de bilhar. O que tivesse eles atingiam a pessoa", contou um ex-paciente ao G1, dias após o fechamento da clínica.







Paciente ouvido à época pelo G1 detalhou supostas agressões (Foto: Abinoan Santiago/Arquivo G1)Paciente ouvido à época pelo G1 detalhou supostas agressões (Foto: Abinoan Santiago/Arquivo G1)


Paciente ouvido à época pelo G1 detalhou supostas agressões (Foto: Abinoan Santiago/Arquivo G1)








Clínica sob suspeita





Para manter os dependentes químicos no tratamento, as famílias pagavam R$ 1,2 mil mensais à administração da clínica. O caso é investigado desde 2016 pelo MP e resultou na prisão à época dos dois irmãos proprietários da clínica.




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